Efeitos colaterais dos medicamentos na boca

O que os medicamentos podem causar na boca/dentes?

Os efeitos colaterais mais comuns causados pelos medicamentos na boca são: candidíase/estomatites, xerostomia, alteração do sabor/gosto dos alimentos (diminuição do paladar), cicatrização retardada dos tecidos, problemas periodontais, dificuldade para engolir, alterações na língua, excessiva sensibilidade. Dentre esses a xerostomia é o efeito colateral mais frequente.

O que é Xerostomia?

Xerostomia é a diminuição da produção de saliva pelas glândulas salivares. A saliva participa na formação do bolo alimentar, favorecendo a digestão e deglutição; atua na proteção da mucosa; controla a microbiota bucal; estabelece e mantém o pH do meio, atuando no processo da cárie dental. Com isso, o paciente com xerostomia tende a mudar sua dieta para facilitar a deglutição. Além disso, se esse paciente for usuário de prótese, muitas vezes, ele remove sua prótese (devido a excessiva sensibilidade da mucosa oral) durante a mastigação, não conseguindo triturar os alimentos de forma correta, tendo assim, uma menor absorção dos nutrientes. Então o paciente (principalmente se for idoso) que já está debilitado (por isso toma o medicamento), pode ficar ainda pior devido a dificuldade de se alimentar.

Pacientes com xerostomia também têm maior incidência de cárie e de lesões na mucosa, pois a saliva atua na proteção da mucosa da oral.

Pacientes com diabetes e pacientes que sofreram radioterapia na região de cabeça e pescoço também são acometidos pela xerostomia.

Nos casos em que a xerostomia é de origem medicamentosa, o cirurgião-dentista deverá entrar em contato com o médico do paciente para estudarem a possibilidade de substituição do medicamento por outro que não afete a produção de saliva. Quando não existir a possibilidade de substituição, saliva artificial deverá ser utilizada para minimizar o problema. Além disso, o paciente com xerostomia deverá ser acompanhado, com uma maior frequência, pelo cirurgião-dentista para orientação de higiene oral, aplicação de flúor, tratamento gengival básico e deverá manter-se sempre bem hidratado, ingerindo água e evitando o consumo de bebidas com álcool e cafeína.

No Brasil, a maior parte da população idosa faz uso de pelo menos um medicamento e são os principais portadores de próteses totais (dentadura) e próteses parciais removíveis (ponte móvel), o que potencializa ainda mais os danos causados pelos efeitos colaterais dos medicamentos.

Anti-hipertensivos, antidepressivos, tranquilizantes e anti-histamínicos são os medicamentos que mais provocam efeitos colaterais na boca.

E os antibióticos? Fragilizam os dentes?

Não, eles não fragilizam os dentes. Muitas pessoas “culpam” os antibióticos pelo aparecimento de cáries dentárias, mas na verdade, o que acontece é que a maioria dos antibióticos (principalmente os receitados para crianças) possui muito açúcar na sua composição. O açúcar associado a uma higienização deficiente é um dos principais responsáveis pelo aparecimento das cáries. Muitas vezes, quando a criança está doente – fazendo uso de antibiótico, os pais ficam menos preocupados com a higienização da boca da criança, não realizando a escovação de maneira adequada.

Existe algum antibiótico que pode causar manchas nos dentes?

Sim. O único antibiótico que comprovadamente provoca alterações nos dentes é a tetraciclina. A tetraciclina se ingerida durante a fase de formação dos dentes (mulher grávida ou criança do nascimento até os 8 anos de idade) causa manchas de coloração amarelada ou marrom-acinzentada no esmalte dos dentes.

Prescrição medicamentosa é coisa séria e deve ter um enfoque multidisciplinar, onde todas as áreas devem ser levadas em consideração.

Fernanda Paixão Malufe é Cirurgiã-Dentista formada pela Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP; Especialista em Prótese Dental; Mestre e Doutora em Clínica Odontológica área de Prótese Dental pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba – UNICAMP; Pesquisadora Colaboradora da UNICAMP; Professora do Curso de Graduação e Pós-Graduação da UNIP/Campinas.

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